Czech :: English :: Español :: Hungarian :: Português

Menu

Parceiros
Análise de Projecto
Objectivos
Conceitos Pedagógicos
Resultados do Projecto
Módulos
Metodologia
Plano de Actividades
Avaliação
Divulgação

Entrar

Por favor autentique-se para aceder à area privada do Website

Utilizador:


Palavra passe:


 
Cérebro, Imagem e Autismo

documento de apoio

Neste documento serão abordados os seguintes temas:

As alterações neurológicas que estão presentes no autismo e suas consequências; as competências ou pontos fortes destas pessoas e como podemos utilizá-las; as "inteligências múltiplas" e a sua, e nossa luta para alcançar a satisfação pessoal.
Dentro do nosso sistema nervoso central que se pode comparar a um computador, existe uma parte, denominada cerebelo, que é um tanto desconhecida. Até há pouco tempo, cria-se que servia para o equilíbrio e coordenação dos movimentos dos olhos. Sem dúvida, graças às investigações realizadas nos últimos 4 anos, sabe-se que o cerebelo tem, proporcionalmente, mais neurónios do que qualquer outra parte do sistema nervoso central, e não só isso, o cerebelo está interligado a todas as áreas importantes do cortex e todo o sistema nervoso central.

O cerebelo, situado na nuca, é composto de duas partes: o vértice e os hemisférios cerebelosos. Os hemisférios cerebelosos crescem no ser humano ao mesmo tempo que os lóbulos frontais, de onde erradica a criatividade, a imaginação e os aspectos mais sofisticados da nossa forma de pensar.
...............................................................................................................................

Para que serve o cerebelo nos seres humanos? Segundo as investigações dos últimos 4 anos, parece claro que o cerebelo é mais activado quando existem percepções complexas. Se estou perante uma situação complexa, é seguro que o meu cerebelo está no topo do seu funcionamento. O cerebelo também rege a atenção e muitos aspectos da memória, especialmente da memória de trabalho, que os entusiastas da informática compreenderão bem, uma vez que se pode comparar à memória RAM dos computadores. A memória de trabalho é aquela que nos permite processar os dados que manejamos habitualmente. O cerebelo activa-se na procura destes dados. O cerebelo intervém também ao nível da fala, da linguagem e da aprendizagem, e quando já se sabe a lição, o cerebelo passa para segundo plano e serve também para resolver problemas complexos, para as sequências temporais. Por último, o cerebelo activa-se quando temos que usar a imaginação espacial e social. Por exemplo, se perguntamos numa cidade onde se encontra determinado monumento e alguém nos explica que se encontra à esquerda de outra referência, imaginamo-nos a caminhar pela esquerda desse sítio que nos tinham indicado.

Pelo que foi dito até agora, sabemos que o cerebelo interfere em funções muito mais importantes do que imaginávamos e ainda existem funções a incluir. O cerebelo está relacionado com todas as alterações básicas do autismo. O autismo manifesta alterações em todas as áreas que acabamos de referir e que são regidas pelo cerebelo. A alteração no cerebelo conduziria à falha directa de uma série de funções que este deve realizar. Em segundo lugar, o sistema nervoso central depende para o seu crescimento de outras partes do sistema nervoso central. Nascemos com muitos mais neurónios do que aqueles que necessitamos e vamos perdendo neurónios, especialmente durante os primeiros anos, como acontece a uma grande árvore com muitos ramos quando se poda. Dependendo das áreas do cérebro que estimulamos vão-se mantendo alguns ramos e outros desaparecem por completo. O que não se sabe é até que ponto a falha funcional nas primeiras fases do desenvolvimento vai influenciar outras áreas do cérebro. Presumivelmente afectará em cascata muitas outras áreas, já que se sabe que o cérebro está ligado a muitas outras zonas. Isto está ligado aos resultados das autópsias nas pessoas com autismo, nas quais se encontra um grande número de células destruídas em muitas zonas do cérebro. Possivelmente isto é uma repercussão das alterações nas células do cerebelo.

Felizmente, as pessoas com autismo não têm o cerebelo todo deficiente, há partes do cerebelo que estão bem. Os olhos, os lóbulos da visão, por exemplo. Como sabemos que as pessoas com autismo têm uma boa memória visual? Sabemo-lo de duas maneiras; em primeiro lugar, conforme os estudos psicométricos. Estes estudos mostram um perfil equilibrado para a maioria das pessoas ditas normais, sem diferenças excessivas entre as suas áreas fortes e as fracas, e um perfil em forma de sino para as pessoas com autismo. Estes estudos, que comparam o desenvolvimento de uma pessoa conforme a sua idade cronológica, mostram uma grande diferença entre as áreas fortes e as fracas das pessoas com autismo. As suas áreas fortes têm que ver especialmente com a memória visual (os puzzles, as formas), as médias com a motricidade. Por outro lado, têm uma baixa memória auditiva e fraca linguagem.

Há uma segunda fonte de dados que nos ajuda muito: as informações pessoais das pessoas com autismo. A primeira coisa que nos dizem estes dados (que partem das próprias experiências de pessoas com autismo que foram capazes de nos explicar como são por dentro), é que as pessoas com autismo não pensam em conceitos, só pensam em imagens. Se a qualquer de nós nos disserem para pensarmos num gato, todos pensamos num protótipo de gato, no estereótipo de gato. Mas uma pessoa com autismo tenderá a rever todos os gatos da sua vida e começa a ver imagens de gatos até que escolhe um gato, como se a sua cabeça fosse um vídeo que devesse repassar todas as imagens de gatos, até que escolhe um ou vários. Mas esta pessoa não tem o conceito de gato, o que tem são imagens de gatos.

O mesmo se passa em termos da relação social. Têm que procurar, como se fosse num vídeo, e rever como tinham resolvido antes esta situação social. Isso ajuda-os a decidir o que têm que fazer nesta.

Por vezes usa-se o truque de imaginar imagens não sociais para as relações sociais. Por exemplo, numa determinada situação, a pessoa com autismo gostava muito de saber como apresentar-se a uma pessoa que não conhecia. A imagem que esta pessoa tem da outra é uma porta a abrir-se, então já sabe que tem que abrir a porta e de seguida fechá-la.

Todos referem que aprendem primeiro os nomes das coisas do que as acções ou os verbos, assim, é mais fácil aprender os nomes das comidas do que a acção de comer. Explicam também que resolvem problemas preenchendo espaços, quer dizer que imaginam umas árvores no género das árvores de decisão que usam os executivos, com rectângulos unidos por linhas e vão preenchendo visualmente os rectângulos  para saber o que lhes falta fazer. Alguns explicaram que conseguiram entender álgebra quando a professora escreveu no quadro e viram como se fazia.

Nas pessoas de alto nível, e visto o enorme potencial da escrita, este instrumento é muito útil e funcional para se expressarem e organizarem as suas ideias.

Por isto, fica claro que as imagens são fundamentais para eles, que o seu mundo é visual. Quem nos disse isto? Num grupo de trabalho, em colaboração com o Departamento de Educação do Governo Basco, procuraram-se todos os pequenos truques que os professores/as haviam descoberto para aquilo a que chamamos a aprendizagem visualmente guiada.

Uma vez que a sua aprendizagem é visual, devemos ser capazes de iniciar estratégias que tenham uma matriz visual. Infelizmente no mercado não existem muitos materiais deste tipo. Temos ido às escolas e através de que os professores têm feito, materiais que normalmente as pessoas querem ou procuram ocultar por se sentirem envergonhados, organizamos o material numa publicação por temas: motricidade, sociabilização, aspectos laborais e cognição. Actualmente estão a preparar-se as cópias e parece que se poderá editar em formato de CD Rom, e assim poderá converter-se numa ferramenta muito importante na escola, um elemento de consulta para se poder aplicar em casos concretos.

Neste estudo organizam-se calendários, que podem ser diários ou semanais, com quadros que indicam o dia da semana no qual se colocam fotografias indicativas (se os alunos não sabem ler) ou letreiros, por escrito (se sabem ler) da actividade ou actividades que se vão realizar. Assim, visualmente, ajudamo-los a estruturar o tempo.

Existem ajudas visuais para tarefas como secar a roupa, organizar uma agenda com dados pessoais, utilização de aparelhos eléctricos. Também se tenta ensinar-lhes a optar, a escolher.

Howard Gardner, Professor de Psicologia de Harvard, apresenta, através dos seus estudos com crianças deficientes ou superdotadas, o conceito de inteligência em sentido amplo como a capacidade de resolver problemas ou gerar produtos que são valorizados em pelo menos uma comunidade na nossa terra.

Dentro do conceito genérico de inteligência, há que distinguir nove aspectos da mesma. Pode-se falar então de uma inteligência linguística (a que nos permite escrever, fazer poesia, expressarmo-nos ou dar conferências) e uma inteligência lógico-matemática (que nos habilita a trabalhar com números, com conceitos mais abstractos). Todos os testes de capacidade que se realizam baseiam-se nestes aspectos, estes dois são os mais importantes, mas não os únicos. Quando alguém diz que outra pessoa é inteligente, está a referir-se a estes dois tipos de inteligência.

Mas existe também a inteligência espacial (a que permite compreender as relações espaciais, a que têm os construtores, os pintores), esta, em minha opinião, têm-na também as pessoas com autismo, a inteligência musical (tem a ver com o ritmo, cadência, sonoridade) ou a inteligência corporal (dança, desporto, mímica). Não fiquem com a ideia de que há pessoas que têm uma inteligência e carecem de outra, todos temos todas, se bem que há pessoas em que sobressai mais uma do que outra. Igualmente, estes princípios são universais, não se podem aplicar a uma raça e a outras não. Há duas inteligências que estão relacionadas, a inteligência interpessoal (é a inteligência da empatia, capacidade para entender os outros), e a inteligência intrapessoal (capacidade para trabalhar sozinho, para ser autónomo e independente). Outra inteligência, que aparece mais claramente em países menos desenvolvidos e em zonas rurais, é a naturalística, que nos faz compreender o mundo das plantas e os animais. Finalmente está a inteligência da intuição, que nos permite ter sensações emotivas profundas, se bem que o autor não está seguro que se deva incluir esta.

Na maioria das escolas ensina-se de acordo com as duas inteligências que mencionámos, e estas são as que mais se desenvolvem. Em Harvard, está-se a experimentar no sentido de propagar nestas escolas uma educação que contemple também as outras inteligências. Assim, em vez de explicar as formas dizendo que um triângulo tem três lados, tenta fazer-se um triângulo formado pelo corpo das crianças, criam-se triângulos de diversos materiais e usa-se um triângulo metálico para fazer música. Os sistemas educativos deveriam contemplar estas outras inteligências, e não só as duas primeiras mencionadas.

Excertos de"Cérebro, Imagem e Autismo" , 1999
Joaquín Fuentes Biggi

Chefe da unidade de Psiquiatria Infantil da Policlínica de Guipúzcoa.
Assessor Médico da Associação Gautena.


 




 

Development by:
SIMBIOSE

SOCRATES Programme - Adult Education
Transnational Cooperation Project SIDE by SIDE
Application 109911-CP-1-2003-1-PT-GRUNDTVIG-G1

APPDA-Lisboa
Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo

Fatal error: Allowed memory size of 33554432 bytes exhausted (tried to allocate 422041536 bytes) in Unknown on line 0